quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A tragédia da Ponte Rio-Niterói e o chacal do governador Witzel


Por Osvaldo Bertolino - A comemoração do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ao descer do helicóptero no local em que o sequestrador de um ônibus identificado como William Augusto da Silva foi alvejado pela polícia, na Ponte Rio-Niterói, sob aplausos, é a imagem da boçalidade. Foi um culto à cultura da arma como símbolo de poder, uma comemoração como se ele estive no estádio do Maracanã depois de um gol.
Uma coisa é o procedimento policial, razoável diante da situação criada pelo sequestrador, outra é atitude tresloucada de Witzel. Seu gesto é a afirmação de que matar alguém é algo banal. Inebriado pelo show midiático da tragédia, o governador extravasou a sua ideologia da violência que vitima tanto culpados como Willian Augusto da Silva quanto inocentes, como Marielle Franco.

10,1 milhões de brasileiros ganham menos de um salário mínimo por mês

O mercado de trabalho no Brasil registra números estarrecedores – que vão além dos índices de desemprego e subemprego. Segundo levantamento da consultoria IDados, publicado nesta quarta-feira (21) no jornal Valor Econômico, o País tem, hoje, 24,1 milhões de pessoas que trabalham por conta própria. Pior: 41,7% desses trabalhadores informais vivem com menos de um salário mínimo por mês. Isso significa que 10,1 milhões dos brasileiros “por conta” têm rendimento inferior a R$ 998 mensais.
É o caso de Thayana Pereira, de 23 anos, que dedicou o fim da adolescência aos estudos, formou-se em Técnica de Enfermagem e se especializou em atendimento de emergência para ambulâncias. Poucas oportunidades surgiram na área, todas exigindo uma experiência que ainda não possui. Sem alternativa, começou a vender tapioca no Centro do Rio de Janeiro há três semanas.
“Continuo procurando emprego na minha área, mas aqui foi uma saída até que apareça. Ajuda a pagar as contas”, diz Thayana, que morava em Maricá, na região metropolitana do Rio, até se mudar recentemente para a capital fluminense em busca da oportunidade que ainda não apareceu. “Passo mais de 11 horas por dia aqui, mas sei que algo melhor vai surgir.”
Thayana é um dos 24,1 milhões de trabalhadores por conta própria do país. Esse tipo de inserção foi o que mais cresceu nos últimos anos – mas está concentrado em atividades que exigem pouca qualificação e geram menor rendimento. São pessoas sem empregador e sem funcionário, que vivem da renda de autônomo.
O levantamento da IDados é inédito e foi feito a pedido do Valor. Um dos recortes da pesquisa aponta existirem hoje 3,6 milhões de trabalhadores por conta própria com rendimento de até R$ 300 por mês – o correspondente a R$ 10 diários. O número equivale a 15% do total de autônomos, que ganham menos que o necessário para comprar uma cesta básica em São Paulo (R$ 493,16).
Segundo Bruno Ottoni, pesquisador do IDados, as ocupações precárias viraram uma válvula de escape para a pouca oferta de empregos. “São trabalhos informais, sem piso salarial e algumas vezes com pessoas sobrequalificadas exercendo. São os trabalhos em que também mais se encontra pessoas em situação de pobreza”, disse o pesquisador.
Os números corroboram a preocupação de especialistas sobre a qualidade dos novos postos de trabalho. Das 3,6 milhões de ocupações geradas desde o segundo trimestre de 2017 – período que marcou o início da recuperação do mercado de trabalho do País –, quase metade (1,7 milhão) foi ocupada por pessoas que passaram a exercer um trabalho por conta própria.
Esse tipo de inserção passou a representar 25,9% dos ocupados no segundo trimestre deste ano, um recorde dentro do horizonte de tempo do levantamento da IDados, que cobre a partir de 2012. Os cálculos são baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, que visita 211 mil domicílios por trimestre.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Política de Bolsonaro para o meio ambiente afunda a imagem do Brasil

Ser, na mesma semana, tema da reportagem de capa da revista de economia mais influente do mundo e um dos destaques da principal publicação científica do planeta é raro, se não inédito, e ninguém poderá negar esse feito de Jair Bolsonaro, ainda que o motivo de tamanha projeção seja mais um vexame internacional. Foi preciso o governo do ex-capitão chegar a extremos no incentivo à atividade econômica predadora e questionar o conhecimento científico com truculência e obscurantismo medieval para receber a devida atenção da The Economist e da Nature. Antes tarde. “Velório da Amazônia: o Brasil tem o poder de salvar a maior floresta da Terra ou de destruí-la”, fulminou a capa do semanário econômico. “O ‘Trump Tropical’ espalha uma crise sem precedentes para a ciência brasileira: as tensões aumentam à medida que a administração Jair Bolsonaro questiona o trabalho de cientistas do Estado e determina cortes debilitantes nos fundos de pesquisa”, descreve a publicação científica.

sábado, 10 de agosto de 2019

Em meio a polarização, argentinos vão às urnas para eleições primárias



Os argentinos irão às urnas neste domingo (11) para as eleições primárias. O processo, na teoria, deveria servir para definir os candidatos habilitados a participar das eleições presidenciais que ocorrem em 27 de outubro. No entanto, nenhum dos partidos indicou mais de uma chapa. Por isso, o pleito funcionará somente como uma espécie de pesquisa de intenção de voto, já que os cidadãos argentinos são obrigados a participar.
Votação deve servir como grande pesquisa eleitoral em um país dividido entre o atual presidente e a ex-mandatária
A campanha para as Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (Paso) começou em 23 junho, data em que se esgotou o prazo para a inscrição das chapas.
Este ano, os candidatos à presidência foram definidos antes das primárias, mas o pleito também funciona como um filtro: presidenciáveis que conquistarem menos de 1,5% dos votos não poderão participar das eleições.
A eleição é diferente do que ocorre em quase todo o resto do mundo. No Brasil, por exemplo, são os filiados de cada partido que decidem, quando há necessidade, quem será seu representante.
A votação ocorrerá entre às 8h e às 18h (horário argentino). Deverão votar todos os cidadãos entre os 18 e 70 anos que estão registrados no sistema eleitoral. A votação só é optativa para jovens de 16 anos e maiores de 70 anos.

Principais candidatos
Assim como nas últimas pesquisas de intenção de voto, as primárias deste domingo devem revelar um cenário bastante polarizado na Argentina.
Segundo uma pesquisa da consultoria Analia del Franco divulgada nesta semana, a chapa Frente de Todos, composta por Alberto Fernández e sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner, está em primeiro lugar com 39,7% das intenções de voto.
Em segundo lugar, com 31,6%, aparece o governista Juntos pela Mudança, do atual presidente, Mauricio Macri, e Miguel Pichetto. Outras pesquisas variam entre 35% e 43% para Fernández e 32 e 35% para Macri.
De acordo com o sistema eleitoral Argentino, vence a corrida no primeiro turno quem conquistar 45% dos votos, ou mesmo 40%, caso haja uma diferença de ao menos 10% com relação ao segundo colocado.
Além de Macri e Fernández, há ainda a chamada “terceira via”, chapa formada por Roberto Lavagna e Juan Manuel Urtubey. A aliança ainda não alcançou 2 dígitos em nenhuma das pesquisas.
Dos seis membros das três chapas mais bem colocadas, cinco são peronistas. Macri é a exceção. Embora esse dado passe a impressão de que há uma conformidade entre as tendências políticas, o peronismo se divide entre diversas ramificações, indo da direita à esquerda do espectro político e gerando confusão mesmo entre os argentinos.

Temas dominantes
As discussões em torno da economia argentina dominaram a corrida eleitoral até aqui. Isso porque o país passa por sua maior crise desde que declarou moratória, às vésperas do natal de 2001.
O próximo mandatário terá que lidar com a crescente desvalorização da moeda nacional frente ao dólar e com uma inflação que fechou 2018 em 47,6%, o maior índice dos últimos 27 anos.
O endividamento público do país também é um problema, tendo a Argentina inclusive recorrido a um empréstimo de US$ 57,1 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional. Especialistas já afirmam que o país pode ter que declarar moratória novamente.
Outro tema presente nos debates é o da legalização do aborto, pauta que paralisou o país em 2018, quando um projeto de legalização passou pela Câmara e foi rejeitado pelo Senado. A aprovação da lei foi amplamente defendida por Cristina.
Fonte: Brasil de Fato

Livro sustenta que morte do educador Anísio Teixeira não foi acidental

“Anísio Teixeira foi o campeão na luta contra a educação como privilégio”, disse o sociólogo Florestan Fernandes, em texto destacado na orelha do livro Breve história da vida e morte de Anísio Teixeira – Desmontada a farsa da queda no fosso do elevador, de João Augusto de Lima Rocha, recentemente lançado pela Edufba, a Editora da Universidade Federal da Bahia, onde o autor é professor titular da Escola Politécnica.

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