'O importante do crescimento é você distribuir de forma equitativa o resultado do crescimento'

Brasil e México são as duas maiores populações e economias da América Latina, representando cerca de 65% do PIB latino-americano. Lula fez um balanço sobre a economia brasileira, citando que, neste ano, a economia do Brasil poderá crescer 3,5%, contrariando especulações. “Em função da realidade da economia mundial hoje, é um crescimento muito virtuoso e é resultado de muito trabalho”, afirmou. O presidente também ressaltou a importância da parceria comercial do México com o Brasil e destacou a necessidade de rediscutir acordos. “O potencial da economia mexicana e brasileira é extraordinário. Eu acho que nós ainda não conseguimos utilizar 70% do potencial que nós temos e, por isso, precisamos fazer novos acordos. Discutir a fundo, sem medo de discutir, tendo sempre em conta que uma boa política de relação comercial é uma via de duas mãos”, declarou Lula, que enfatizou o potencial da economia dos dois países.
"Quando eu voltei para a presidência da República, eu tinha na cabeça o seguinte: eu não posso ser pior do que eu já fui. Eu tenho que ser melhor. Eu preciso fazer um governo mais eficaz, um governo mais competente. Não precisava crescer a 7,5% não. O que precisa é crescer. Mas o importante do crescimento é você distribuir de forma equitativa o resultado do crescimento.
"Porque o crescimento não é feito apenas pelo governo, pela política do governo, pelos empresários. O crescimento é feito pelo exercício, o sacrifício de milhões de trabalhadores que levantam 6 horas da manhã todo dia, trabalham até 5 horas da tarde e muitas vezes ganham pouco diante das suas necessidades. Esse é o desafio que existe para o México e para o Brasil", disse o presidente.
Lula mencionou a necessidade de manter um equilíbrio nas relações comerciais entre Brasil e México. Para o presidente do Brasil, também é necessário o diálogo permanente com os empresários. “É preciso que haja um balanço equilibrado nessa relação política comercial, porque ninguém aguenta ter déficit a vida inteira. É preciso a gente ter um equilíbrio. É assim que nós temos que trabalhar. E é por isso que eu faço questão de conversar com os empresários, porque eu preciso trazer de volta a civilidade nas relações políticas do Brasil. O líder brasileiro também enfatizou o desejo de fomentar o crescimento econômico em várias frentes, e destacou a área tecnológica, com o desenvolvimento de inteligência artificial. “Eu quero fazer negócio, crescer economicamente. Quero que as nossas indústrias cresçam, que a nossa agricultura cresça, eu quero que a gente invista na construção de uma inteligência artificial que possa resultar em benefícios econômicos para nós, para as nossas mulheres, crianças, para o nosso futuro. Isso está nas nossas mãos. Temos inteligência suficiente para isso”, disse.
PROPOSTAS — O evento foi realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE). Na cerimônia, foram entregues ao presidente Lula as propostas e recomendações do Conselho Empresarial Brasil-México (Cebramex). A Declaração trata das prioridades dos setores privados de ambos os países em favor de melhorar o ambiente empresarial. Também foi realizada a assinatura de Convênio entre a ApexBrasil, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e a COMCE. O memorando tem como objetivo promover a cooperação para fortalecer as relações comerciais entre Brasil e México e estabelecer as bases para organização de missões comerciais, além da promoção comercial para gerar novas oportunidades de negócios para ambos os países.
A Embraer e a Federação Mexicana da Indústria Aeroespacial também assinaram um memorando que tem como objetivo identificar e promover oportunidades no setor aeroespacial.
Acordos
Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Brasil quer aprofundar dois acordos de complementação econômica entre os dois países: os Acordos de Cooperação Econômica – ACE 53 e o ACE 55, para comércio de produtos automotivos. O ACE 53 estabelece a eliminação ou redução de tarifas de importação para um universo de aproximadamente 800 posições tarifárias, por meio da concessão de margens de preferência recíprocas entre Brasil e México.
Esse instrumento prevê ainda que, no caso do Brasil, as importações de produtos constantes no acordo não estarão sujeitas à aplicação do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM);
Por meio do ACE 55, Brasil e México estabeleceram o livre comércio para o intercâmbio comercial de automóveis; veículos comerciais leves, chassis com motor e cabina e carroçarias para estes veículos, caminhões e chassis com motor e cabina; tratores agrícolas, ceifeiras, máquinas agrícolas autopropulsadas e máquinas rodoviárias autopropulsadas; e autopeças para os produtos automotivos listados.
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