quarta-feira, 12 de junho de 2024

México: vencedora das eleições presidenciais herdará o país mais perigoso para a imprensa no Ocidente

Confirmada nas urnas neste domingo (2) como nova presidente do México, Claudia Sheinbaum receberá um país reconhecido como um dos mais perigosos do mundo para a imprensa.
Sheinbaum concorreu pela coligação Sigamos Haciendo Historia, da qual faz parte a agremiação do atual presidente, Andrés Manuel López Obrador, cujo governo iniciado em 2018 foi marcado por um número recorde de assassinatos de profissionais de imprensa e por ataques verbais do líder da nação a jornalistas que criticaram seus atos.
O país ocupa o 121º lugar entre 180 nações no Global Press Freedom Index 2024 da organização Repórteres Sem Fronteiras, e tem se mantido nos últimos anos entre os primeiros em listas de jornalistas mortos e de impunidade para crimes contra imprensa feitas por diversas organizações.Desafio para o novo presidente do México
A violência contra a imprensa é um desafio complexo para a nova presidente do México, pois não depende somente do governo central – mas ele tem boa parte da responsabilidade em tentar reverter a situação.
De acordo com um relatório publicado pela Anistia Internacional em conjunto com o Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) em março, o país é o mais perigoso do Hemisfério Ocidental para o jornalismo, com números impressionantes: Desde a virada do século, pelo menos 141 jornalistas e outros profissionais de mídia foram mortos.
Pelo menos 61 dessas mortes estavam diretamente relacionadas ao trabalho.
De acordo com o Índice Global de Impunidade anual do CPJ, o México está consistentemente classificado entre os 10 países com o maior número de assassinatos de jornalistas que permanecem sem solução.
O México é o país com o maior número de jornalistas desaparecidos no mundo, embora nenhum caso tenha levado a uma condenação.
A maioria dos crimes ocorridos nos últimos anos vitimou profissionais independentes ou de pequenos veículos regionais situados em regiões dominadas pelo crime organizado e pela corrupção.
Embora nem todos os casos tenham sido investigados até o fim e a causa das parte das mortes não tenha sido confirmada como relacionada ao trabalho, os jornalistas atacados tinham em comum o fato de escreverem ou falarem sobre corrupção e violência local.

Luciana Gurgel
Jornalista baseada em Londres, é co-fundadora e Editora-chefe do MediaTalks. É também colunista de mídia e comunicação no J&Cia/Portal dos Jornalistas. Faz parte da FPA London (Foreign Press Association).

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