'Esse é o momento do Brasil e não vamos perder essa oportunidade', diz Lula
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| Foto: Ricardo Stuckert/PR - Lula, com Haddad e Alckmin |
Contra o protecionismo - Desde o final de abril o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) alterou, por um ano, a taxação de 11 itens da siderurgia, que subiram de 11% para 25%. A medida foi considerada um avanço por setores da indústria e defendida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como fundamental para enfrentar o protecionismo. "O Mdic foi muito bem em eliminar concorrência desleal em aço", disse Haddad.
Ao lado de Lula no evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin também celebrou o anúncio como retorno das medidas que vêm sendo adotadas pela economia brasileira desde o ano passado. “O Brasil está entre os 10 maiores produtores de aço do mundo. Com a melhoria do ambiente de negócios, por meio de iniciativas como a reforma tributária, e o fortalecimento das medidas de defesa comercial, estamos melhorando a competitividade da nossa indústria, protegendo os empregos brasileiros contra práticas desleais de comércio e aumentando a confiança dos nossos empresários”, afirmou o chefe do Mdic. Alckmin ressaltou a imposição de cotas de importação como algo novo no setor. “Nós fizemos uma medida inédita no Brasil, que é a cota. Ou seja, pegamos a média das importações de 2020, 2021 e 2022, acrescemos mais 30% e aí dissemos: essa é a cota, até esse valor não tem nenhum aumento de imposto de importação. Agora, o que passar disso, aí terá 25% de imposto de importação”, explicou. “Isso foi perfeitamente entendido por toda a indústria, e o resultado são R$ 100 bilhões de investimentos, melhorando a competitividade, descarbonização, gerando emprego, gerando renda”, completou.
O presidente do conselho diretor do Instituto Aço Brasil, Jefferson de Paula, observou que a taxação temporária trouxe esperança para a indústria, como primeiro passo para a redução da entrada desenfreada de importações no Brasil. “Reafirmo a disposição da indústria do aço de se engajar no esforço de retomada do crescimento do país”, disse.
Já o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, equiparou o anúncio do setor do aço aos investimentos previstos pelo setor automotivo, após o lançamento do programa de Mobilidade Verde e Inovação, Mover, no final de 2023.
“Há um ano se falava que estávamos fazendo uma liquidação de automóveis, e hoje nós falamos em R$ 130 milhões de investimentos nesse setor. No final do ano passado, se falava em fechamentos de alto-fornos [na indústria siderúrgica], e hoje estamos falando em investimentos de R$ 100 bilhões.”
Reindustrializar o País - O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, criticou os governos anteriores por ostentarem políticas nocivas ao desenvolvimento industrial e à soberania econômica: “Não só tivemos, no Brasil, um negacionismo na saúde pública, um negacionismo ambiental, mas tem um negacionismo no debate econômico. Essa ideia de abertura comercial unilateral é ingênua e é insustentável no mundo que nós estamos vivendo”, afirmou.
Mercadante comparou a expectativa de R$ 100 bilhões de investimentos do setor de siderurgia até 2028 com os dos últimos 20 anos, quando o BNDES investiu R$ 39 bilhões no setor. “Estamos com a porta aberta, queremos estar na linha de frente dessa parceria, muito mais orgânico na relação, como foi no passado, o BNDES e o setor siderúrgico”, afirmou ele, que ressaltou ser importante enfrentar o negacionismo e tomar medidas mais ousadas para reindustrializar o País. “A indústria siderúrgica, durante 25 anos, cresceu 10% ao ano. Então, onde que nós nos perdemos? Nesse emaranhado que nós estamos envolvidos aí desde o consenso de Washington, que não é consenso nem mais em Washington”, disse.
“Estamos iniciando a reversão da desindustrialização que o Brasil foi vítima. Isso não vai se aprofundar se nós não tivermos uma relação mais criativa entre Estado e mercado. Não é voltar ao modelo anterior. Mas um Estado que induz, um Estado que seja parceiro, um Estado que ajude a financiar e ajude a defender o setor produtivo, porque o protecionismo está por toda a parte”, completou.

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